Nem toda grande invenção consegue conquistar os motoristas. Ao longo das décadas, as montadoras investiram em equipamentos surpreendentes que acabaram esquecidos, seja pelo preço, pelos problemas técnicos ou simplesmente porque ninguém queria utilizá-los.
O carro com motor de turbina de avião

Em 1963, a Chrysler apresentou um automóvel equipado com uma turbina a gás, semelhante em princípio às utilizadas em aeronaves. O veículo podia funcionar com diferentes combustíveis e chamou a atenção por seu funcionamento suave e pelo som incomum.
A fabricante construiu 50 unidades para testes com motoristas comuns. Entretanto, o consumo elevado, os custos e as dificuldades técnicas impediram a produção em massa. Grande parte dos carros foi destruída posteriormente.
O toca-discos de vinil instalado no painel

Muito antes dos CDs, pen drives e serviços de streaming, a Chrysler ofereceu um toca-discos de vinil dentro dos automóveis, em 1956.
Chamado de Highway Hi-Fi, o equipamento utilizava discos especiais e permitia ouvir músicas durante as viagens. O problema era a combinação de preço elevado, manutenção complicada e um catálogo bastante limitado. O sistema não conquistou o público e acabou abandonado.
O câmbio com botões no volante

Em 1958, a Ford lançou o Edsel com uma solução bastante diferente: os comandos do câmbio automático ficavam no centro do volante.
O sistema, chamado Teletouch, dispensava a tradicional alavanca. Mas os problemas de confiabilidade, envolvendo componentes elétricos, e a ergonomia pouco prática comprometeram a novidade. O mecanismo não durou muito tempo.
O carro que falava com o motorista

Muito antes dos assistentes de inteligência artificial, alguns automóveis já conseguiam conversar com seus motoristas. Nos anos 1980, a Chrysler oferecia o sistema Electronic Voice Alert, que emitia mensagens faladas para avisar sobre portas abertas, problemas mecânicos e até a necessidade de colocar o cinto de segurança.
A novidade parecia saída de um filme futurista, mas tinha um inconveniente: os avisos repetitivos acabavam irritando alguns motoristas. A própria Chrysler precisou fazer ajustes no sistema após reclamações. Com o tempo, aquela geração de alertas falados perdeu espaço para avisos sonoros e visuais mais discretos.
Carro dirigido por joystick, sem volante

Em 1996, a Mercedes-Benz apresentou o F 200 Imagination, um carro-conceito que dispensava algo aparentemente indispensável: o volante.
No lugar dele, pequenos joysticks permitiam acelerar, frear e mudar de direção. Até o passageiro poderia assumir o controle do veículo utilizando um comando instalado do seu lado.
Embora o projeto tenha demonstrado possibilidades interessantes para os sistemas eletrônicos de direção, a proposta de substituir completamente o volante por joysticks nunca se popularizou nos automóveis de passeio.
O mais curioso é que várias outras tecnologias daquele conceito acabaram chegando aos carros modernos.
Câmbio manual sem pedal de embreagem

Na década de 1990, a Saab tentou unir o prazer de dirigir um carro manual com a comodidade de não precisar acionar a embreagem.
O sistema Sensonic, oferecido no Saab 900, permitia trocar as marchas pela alavanca convencional, enquanto um mecanismo eletrônico controlava automaticamente a embreagem.
A ideia parecia perfeita, mas o comportamento do sistema exigia adaptação, especialmente em manobras e situações que pediam controle preciso em baixa velocidade.
O Sensonic teve vida curta. Embora transmissões automatizadas tenham seguido outros caminhos, essa combinação específica nunca virou padrão da indústria.
Cinto de segurança que se colocava sozinho

Durante os anos 1980 e 1990, alguns automóveis vendidos nos Estados Unidos receberam uma solução curiosa: cintos de segurança que se movimentavam automaticamente quando o motorista entrava no carro.
Em determinadas versões, a parte superior do cinto deslizava por um trilho junto à porta, posicionando-se sobre o ocupante sem que ele precisasse puxá-la.
A intenção era aumentar a utilização do equipamento de segurança. Entretanto, alguns sistemas ainda exigiam que o motorista afivelasse manualmente a parte abdominal, além de acrescentarem mecanismos que podiam apresentar problemas.
Com a popularização dos airbags e a evolução dos cintos convencionais, esse tipo de equipamento acabou desaparecendo.
Carro conversível que precisava deixar o teto em casa

O Citroën C3 Pluriel, lançado em 2003, prometia ser vários carros em um só. Seu sistema de teto permitia transformar o veículo em diferentes configurações, incluindo um conversível praticamente aberto por completo.
O detalhe curioso era que, para aproveitar a versão totalmente descoberta, o motorista precisava retirar manualmente os arcos laterais do teto.
Até aí, tudo bem. O problema era que essas peças não cabiam dentro do carro.
Quem saísse de casa sem os arcos e fosse surpreendido por uma chuva não conseguiria simplesmente fechar a capota. A solução inovadora acabou ficando conhecida justamente por essa enorme inconveniência.
Faróis que mudavam de intensidade sozinhos nos anos 1950

Em 1952, a General Motors apresentou uma tecnologia que parecia impossível para a época: faróis capazes de alternar automaticamente entre luz alta e baixa quando outro veículo se aproximava.
Batizado de Autronic Eye, o equipamento utilizava um sensor instalado sobre o painel para detectar as luzes dos automóveis que vinham no sentido contrário.
A ideia era excelente, mas o funcionamento nem sempre correspondia às expectativas. O sensor podia confundir postes de iluminação e outras fontes luminosas com faróis, provocando mudanças indesejadas na intensidade da luz.
O sistema original acabou substituído por versões aperfeiçoadas, mas demorou décadas para que essa tecnologia se tornasse realmente comum nos automóveis modernos.

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