Durante boa parte do século passado, fumar não era apenas socialmente aceito. O cigarro aparecia em filmes, revistas, programas de televisão e campanhas publicitárias associadas a sucesso, elegância, esportes e até saúde. Algumas marcas chegaram a utilizar médicos, atletas e crianças em anúncios que hoje dificilmente passariam por qualquer departamento jurídico ou agência de publicidade.
Vistas décadas depois, algumas dessas campanhas parecem quase absurdas. Vale lembrar que elas surgiram em uma época em que os riscos do tabagismo ainda não tinham a divulgação e o reconhecimento público que possuem atualmente. Confira alguns exemplos que ajudam a mostrar o quanto a publicidade mudou.
Médicos dizendo que preferiam Camel
Talvez uma das campanhas mais famosas da história da publicidade de cigarros seja a da Camel. A marca publicou anúncios afirmando que mais médicos fumavam Camel do que qualquer outro cigarro. Médicos de jaleco apareciam nas peças, dando ao produto uma aparência de credibilidade científica.
A campanha foi veiculada principalmente entre as décadas de 1940 e 1950 e hoje soa especialmente estranha justamente porque a medicina passou a desempenhar o papel oposto, alertando sobre os riscos associados ao cigarro. O uso da imagem de profissionais de saúde ajudava a transmitir ao consumidor uma sensação de segurança que atualmente seria impensável em uma propaganda desse tipo.
Atletas dizendo que o cigarro não atrapalhava o desempenho
Outra estratégia inacreditável para os padrões atuais era colocar atletas de alto nível para divulgar cigarros. Campanhas antigas da Camel chegaram a utilizar esportistas afirmando que fumar não prejudicava sua resistência física.
Anúncios publicados no período mostravam campeões olímpicos e outros atletas associados à marca. Há registros de peças nas quais esportistas apareciam acompanhados de mensagens sugerindo que poderiam fumar sem prejudicar seu desempenho. Atualmente, quando desempenho esportivo costuma ser associado a alimentação, treinamento e hábitos saudáveis, a combinação parece ainda mais surreal.

Babe Ruth e outros jogadores promovendo cigarros
Nem mesmo alguns dos maiores nomes do beisebol americano escaparam das campanhas. Babe Ruth, uma das figuras mais famosas da história do esporte nos Estados Unidos, apareceu associado a marcas de cigarro em anúncios antigos.

Outros jogadores também fizeram parte desse tipo de publicidade. Lou Gehrig, por exemplo, foi utilizado em anúncios ligados à Camel, enquanto diferentes campanhas exploravam a imagem de atletas para transmitir força, sucesso e popularidade ao produto. Hoje seria difícil imaginar uma grande liga esportiva permitindo que uma marca de cigarro utilizasse seus principais ídolos dessa maneira.
Cigarro como alternativa para não engordar
Durante décadas, a publicidade também explorou a preocupação das mulheres com o peso. Uma famosa campanha da Lucky Strike incentivava o consumidor a pegar um cigarro em vez de comer um doce.

A mensagem era simples e extremamente agressiva: fumar era apresentado praticamente como uma estratégia para manter a silhueta. A campanha ajudava a associar o cigarro à aparência física e ao controle do peso, algo que hoje seria considerado altamente problemático.
Até bebês apareciam em propagandas
Talvez nada provoque mais estranhamento hoje do que encontrar bebês em anúncios relacionados ao cigarro. Algumas campanhas antigas utilizaram ilustrações de crianças para criar situações familiares e bem-humoradas envolvendo pais fumantes.
Existem anúncios históricos da Marlboro, por exemplo, nos quais bebês aparecem em situações relacionadas ao hábito de fumar dos adultos. O contraste com a publicidade atual é enorme. Em poucas décadas, o cigarro saiu de um produto anunciado praticamente como qualquer outro para uma categoria submetida a algumas das maiores restrições publicitárias existentes.


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