Durante anos, algumas empresas pareceram simplesmente grandes demais para desaparecer. Tinham milhares de funcionários, marcas conhecidas no mundo inteiro, lojas lotadas e negócios avaliados em bilhões. Mesmo assim, mudanças tecnológicas, decisões ruins, dívidas e novos concorrentes foram suficientes para derrubar verdadeiros impérios.
Blockbuster
O auge
Nos anos 1990 e começo dos anos 2000, a Blockbuster era praticamente sinônimo de aluguel de filmes. A rede chegou a ter milhares de lojas espalhadas pelo mundo e fazia parte da rotina de milhões de pessoas que saíam de casa para escolher uma fita VHS ou um DVD para assistir no fim de semana.

A marca era tão forte que parecia difícil imaginar que pudesse desaparecer. Suas enormes lojas, com fileiras de lançamentos e clássicos, se tornaram um dos símbolos daquela geração.
O que aconteceu?
O problema foi que a maneira de assistir a filmes mudou muito rápido. Primeiro vieram os serviços de aluguel pelo correio. Depois, o conteúdo digital e o streaming praticamente eliminaram a necessidade de ir até uma locadora.

Com dívidas crescentes e dificuldade para acompanhar essa transformação, a Blockbuster entrou em recuperação judicial em 2010. Poucos anos depois, praticamente todas as suas lojas haviam fechado. Hoje, restou apenas uma famosa unidade franqueada nos Estados Unidos, funcionando quase como uma atração turística.
Pan Am
O auge
Durante boa parte do século XX, a Pan Am foi uma das companhias aéreas mais famosas do mundo. Seus aviões representavam luxo, modernidade e a expansão das viagens internacionais.

A empresa ajudou a popularizar rotas entre continentes e esteve diretamente associada à chamada era de ouro da aviação. Viajar em um avião da Pan Am era, para muita gente, símbolo de status.
O que aconteceu?
A companhia começou a enfrentar custos cada vez maiores, concorrência mais agressiva e dificuldades financeiras. A desregulamentação do mercado aéreo americano aumentou ainda mais a disputa entre as empresas.

A Pan Am passou a vender ativos e rotas para tentar sobreviver, mas não conseguiu reverter a situação. Em dezembro de 1991, depois de décadas como uma das marcas mais conhecidas da aviação mundial, a companhia encerrou definitivamente suas operações.
Varig
O auge
Durante décadas, a Varig foi uma das empresas mais importantes do Brasil. Seus aviões voavam para dezenas de destinos nacionais e internacionais e a companhia se tornou referência em atendimento e qualidade.

Em determinada época, viajar para o exterior pela Varig era quase um símbolo nacional. A empresa era reconhecida no mundo inteiro e chegou a ser considerada uma das principais companhias aéreas da América Latina.
O que aconteceu?
A partir dos anos 1990, a empresa começou a enfrentar uma combinação de problemas: dívidas enormes, custos elevados, concorrência crescente e dificuldades para se adaptar ao novo cenário da aviação.

A situação se deteriorou até que a Varig entrou em recuperação judicial em 2005. Seus principais ativos foram vendidos, e parte da operação acabou incorporada pela Gol. Aos poucos, os tradicionais aviões com a estrela da Varig desapareceram dos aeroportos.
Compaq
O auge
Antes de notebooks ultrafinos e smartphones dominarem a tecnologia, a Compaq era um dos nomes mais importantes do mercado de computadores pessoais.

Durante os anos 1990, a empresa vendeu milhões de computadores e chegou a ocupar posições de liderança mundial no setor. Em muitos escritórios e residências, ter um computador Compaq era algo bastante comum.
O que aconteceu?
O mercado de computadores ficou cada vez mais competitivo. Empresas como Dell passaram a trabalhar com modelos de venda mais eficientes e preços agressivos.

Ao mesmo tempo, algumas decisões estratégicas aumentaram a complexidade e os custos da Compaq. Em 2002, a Hewlett-Packard comprou a empresa em um negócio bilionário. O nome ainda apareceu em produtos durante algum tempo, mas a Compaq deixou de existir como aquela gigante independente que havia dominado parte do mercado de PCs.
Mappin
O auge
Durante décadas, o Mappin foi uma das lojas de departamentos mais conhecidas do Brasil, especialmente em São Paulo. Suas unidades enormes vendiam praticamente de tudo e atraíam multidões.

A loja da Praça Ramos de Azevedo, no centro paulistano, se tornou especialmente famosa. Para muitas famílias, ir ao Mappin fazia parte da rotina de compras da cidade.
O que aconteceu?
A empresa começou a acumular prejuízos e dívidas durante os anos 1990. Uma expansão mal-sucedida e dificuldades financeiras tornaram a situação cada vez mais complicada.

Em 1999, depois de 86 anos de história, o Mappin fechou suas portas. A marca ainda seria reutilizada posteriormente em projetos comerciais, mas aquela enorme rede de lojas que marcou gerações nunca voltou.
Gigantes também desaparecem
O mais curioso nesses casos é que nenhuma dessas empresas parecia estar próxima do fim quando estava no auge. Elas tinham dinheiro, reconhecimento e milhões de clientes.
Mas mercado, tecnologia e hábitos de consumo mudam rapidamente. E quando uma empresa demora demais para perceber isso, até nomes que pareciam indestrutíveis podem virar apenas lembrança.

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