Objetos que se moviam sozinhos, revelações que pareciam impossíveis e até espíritos falando diante das câmeras. A televisão já exibiu demonstrações capazes de deixar muita gente se perguntando se estava vendo algo sobrenatural. Em alguns desses casos, porém, bastou investigar os bastidores para encontrar uma explicação bem menos misteriosa. De sopros discretos a informações transmitidas por rádio, conheça cinco histórias em que o suposto paranormal acabou dando lugar ao truque.
O “homem do Rá” e as moedas que se entortavam

Quem acompanhava a televisão brasileira provavelmente se lembra de Thomaz Green Morton, conhecido pelo grito “Rá!”. Ele ganhou fama com demonstrações de supostos poderes, como entortar metais e fazer perfume surgir nas mãos. Suas apresentações despertaram a curiosidade do público e atraíram a atenção de celebridades.
Em agosto de 2002, o Fantástico exibiu uma reportagem que colocou essas habilidades em xeque. Uma das demonstrações analisadas mostrava moedas na palma da mão que, depois de alguns movimentos, apareciam com uma delas entortada. O ilusionista Khronnus apontou uma troca durante a manipulação: ao final, havia uma moeda a mais, justamente a deformada. Morton contestou as imagens, afirmando que a mão exibida não era sua. A reportagem também mostrou como outros efeitos associados a ele podiam ser reproduzidos com recursos de ilusionismo.
O poder da mente que dependia de um sopro

Em 1980, o americano James Hydrick chamou a atenção no programa That’s Incredible! ao movimentar um lápis e virar páginas de uma lista telefônica sem encostar nos objetos. Ele apresentava aquilo como uma demonstração de poder mental, mas o ilusionista James Randi desconfiou de uma explicação bastante simples: sopros cuidadosamente disfarçados.
O teste decisivo aconteceu em outro programa, o That’s My Line. Randi espalhou pequenos pedaços de isopor ao redor do livro, de modo que uma corrente de ar também movimentaria o material e denunciaria o truque. Nessas condições, Hydrick não conseguiu repetir a demonstração. Posteriormente, em uma entrevista ao investigador e mágico Dan Korem, admitiu que os objetos se moviam com o ar que saía de sua boca. A habilidade existia, mas era resultado de prática para soprar sem ser percebido.
As revelações que chegavam por um ponto eletrônico

Durante suas apresentações religiosas, o televangelista Peter Popoff parecia saber informações que não teria como descobrir. Ele anunciava nomes, endereços e problemas de saúde de pessoas da plateia, dando a impressão de receber revelações divinas. Para quem assistia, o nível de detalhe ajudava a tornar a cena convincente.
Em 1986, James Randi e seus colaboradores descobriram o caminho percorrido pelas informações. A equipe captou transmissões de rádio nas quais a esposa de Popoff lhe repassava dados recolhidos previamente sobre os participantes. Ele ouvia tudo por um pequeno receptor no ouvido. As gravações do esquema foram apresentadas no The Tonight Show, de Johnny Carson, permitindo comparar as instruções da esposa com as supostas revelações feitas diante do público.
O médium que incorporou alguém que nunca existiu

O programa britânico Most Haunted acompanhava investigações em lugares supostamente assombrados e tinha entre seus participantes o médium Derek Acorah. Em uma gravação na antiga prisão de Bodmin, ele alegou estar possuído pelo espírito de um homem chamado Kreed Kafer. O detalhe que desmontava aquela história estava na origem do nome.
Kreed Kafer havia sido inventado pelo investigador Ciarán O’Keeffe como parte de um teste. A informação foi repassada a Acorah por um integrante da equipe e depois apareceu na suposta manifestação espiritual. Até o nome era uma provocação: suas letras podiam ser reorganizadas para formar “Derek Faker”, expressão que sugere “Derek farsante”. O episódio expôs como uma informação plantada nos bastidores podia reaparecer diante das câmeras como se tivesse vindo do além.
O espírito de 2 mil anos criado para enganar a televisão

Em 1988, José Alvarez apareceu na televisão australiana como um homem capaz de incorporar uma entidade de aproximadamente 2 mil anos chamada Carlos. A história ganhou cobertura da imprensa e levou a uma apresentação na Ópera de Sydney. Voz alterada, comportamento teatral e uma biografia misteriosa ajudavam a construir o personagem.
A revelação veio no programa 60 Minutes: Carlos era uma encenação organizada por Alvarez e James Randi para mostrar como alegações sobrenaturais podiam conquistar espaço sem uma verificação adequada. O material de divulgação incluía referências inventadas para dar credibilidade ao suposto médium. Nesse caso, a farsa tinha sido planejada para ser exposta depois, transformando a própria cobertura televisiva em parte da demonstração de como o público e a imprensa podiam ser enganados.

QUEM FAZ
Desse cara do “rá” vi no “Fantástico” na época.
Hoje tem coisa bem pior no youtube e com milhares de seguidores