A Netflix mudou a forma como consumimos filmes e séries apostando em ideias que, muitas vezes, ninguém havia tentado antes. Mas nem todas deram certo. Algumas custaram milhões, outras foram apresentadas como o futuro do entretenimento e acabaram abandonadas pouco tempo depois.
O conteúdo interativo

Quando Black Mirror: Bandersnatch estreou em 2018, parecia que a Netflix havia criado uma nova maneira de assistir televisão: o próprio espectador decidia o rumo da história.
A empresa lançou outros especiais interativos, mas o formato nunca se popularizou como esperado. Aos poucos, essas produções foram retiradas e, em 2025, os últimos grandes títulos interativos desapareceram da plataforma.
Qwikster, a tentativa de separar o DVD do streaming

Em 2011, a Netflix decidiu separar seu tradicional serviço de DVDs pelo correio do streaming. Os DVDs passariam a funcionar em uma nova empresa chamada Qwikster, com site e cobrança próprios.
Os clientes odiaram a ideia. A reação foi tão negativa que a Netflix desistiu do projeto poucas semanas depois, antes mesmo de o Qwikster começar a funcionar de verdade.
A ideia de que qualquer série poderia virar um fenômeno mundial

Com sucessos como Stranger Things, La Casa de Papel e Round 6, a Netflix mostrou que uma série poderia surgir praticamente de qualquer lugar e conquistar o planeta.
O problema foi tentar repetir essa fórmula inúmeras vezes. A empresa investiu pesado em produções que chegaram cercadas de expectativa, mas desapareceram rapidamente do catálogo de sucessos. Jupiter’s Legacy, por exemplo, deveria ajudar a criar um universo próprio de super-heróis e acabou sem segunda temporada.
Tudum como uma grande operação editorial

Em 2021, a Netflix criou o Tudum, um portal próprio com notícias, entrevistas e bastidores de suas produções. Para isso, contratou jornalistas experientes e montou uma grande equipe editorial.
Poucos meses depois, vieram demissões e uma reformulação da operação. O Tudum não acabou e continua existindo, mas aquela ambiciosa estrutura editorial inicial precisou ser repensada.
Videogames como a próxima grande frente da Netflix

A Netflix começou oferecendo pequenos jogos para celulares, mas rapidamente aumentou sua ambição. Comprou estúdios, contratou veteranos da indústria e chegou a montar uma equipe para desenvolver um grande jogo AAA.
Esse projeto nunca chegou às lojas. Em 2024, a empresa fechou o estúdio responsável antes mesmo que o jogo fosse oficialmente lançado, embora tenha continuado investindo em outras modalidades de games.
Lançar temporadas inteiras de uma vez

Durante anos, uma das maiores diferenças da Netflix era simples: todos os episódios chegavam no mesmo dia. Foi daí que nasceu a cultura de “maratonar” uma série durante um fim de semana.
Só que a própria Netflix começou a flexibilizar essa fórmula. Grandes produções passaram a ter temporadas divididas em partes e diferentes estratégias de lançamento, mostrando que a fórmula que ajudou a popularizar o serviço nem sempre era a melhor para manter uma produção em evidência por mais tempo.
Transformar grandes franquias em sucessos garantidos

Ter um nome famoso não significa necessariamente ter sucesso. A Netflix descobriu isso ao adaptar franquias enormes para séries live-action.
Cowboy Bebop foi cancelada apenas algumas semanas depois da estreia. Resident Evil também ganhou somente uma temporada. As duas mostraram que uma marca conhecida pode chamar atenção inicialmente, mas não garante que o público continue assistindo.
A tentativa de encontrar “a próxima Stranger Things”

Depois do enorme sucesso de Stranger Things, encontrar outra franquia capaz de gerar temporadas, produtos e uma legião de fãs se tornou uma espécie de Santo Graal do streaming.
A Netflix investiu milhões em grandes produções tentando repetir o fenômeno. Algumas conseguiram, mas várias séries caras foram canceladas rapidamente quando os números não justificaram novas temporadas. A lição acabou sendo simples: não existe uma fórmula garantida para fabricar o próximo fenômeno mundial.
Nem toda aposta que parecia ruim deu errado

Curiosamente, também aconteceu o contrário. Quando a Netflix começou a restringir o compartilhamento de senhas entre pessoas de residências diferentes, muita gente imaginou que a empresa perderia assinantes. A decisão provocou reclamações, mas acabou ajudando a transformar parte dos usuários que compartilhavam contas em assinantes pagantes.
Talvez seja justamente essa disposição para testar, errar e mudar de direção que explique boa parte da trajetória da Netflix. Algumas apostas desapareceram rapidamente. Outras acabaram transformando completamente o mercado de streaming.

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