A internet criou uma linguagem própria, cheia de símbolos e palavras que hoje usamos sem pensar duas vezes. Mas você já parou para imaginar de onde vieram o @, a hashtag, os emojis, os memes e até o famigerado spam? Algumas dessas histórias começaram muito antes das redes sociais e, em certos casos, antes mesmo da própria internet.

@: muito antes do e-mail
O arroba é provavelmente o mais antigo desta lista, e inclusive já falamos dele aqui no Buteco, mas nunca é demais relembrar. Há registros do símbolo @ já em 1536, usado em uma carta escrita por um comerciante italiano. Durante séculos, ele apareceu principalmente em documentos comerciais, com um significado próximo de “ao preço de”.
A grande transformação aconteceu em 1971, quando o programador Ray Tomlinson precisava criar uma maneira de separar o nome do usuário do computador para o qual uma mensagem seria enviada. Ele escolheu justamente o @ porque era um símbolo pouco utilizado nos computadores da época.
Nascia o formato que usamos até hoje nos endereços de e-mail.

#: de símbolo esquecido a hashtag
O # também existia muito antes das redes sociais e já era utilizado em diferentes contextos, inclusive para representar números.
Na internet, o símbolo ganhou outra função em sistemas de bate-papo como o IRC, onde identificava canais de conversa. Foi daí que o desenvolvedor Chris Messina tirou a inspiração para, em agosto de 2007, sugerir que usuários do Twitter colocassem # antes de palavras para organizar assuntos.

O Twitter inicialmente não demonstrou muito entusiasmo com a ideia. Os próprios usuários adotaram o sistema e, em 2009, a plataforma passou a transformar hashtags em links pesquisáveis.

Emoji: pequenos desenhos que nasceram no Japão
Apesar da semelhança do nome, “emoji” não tem relação com a palavra inglesa “emotion”.
A expressão vem do japonês: “e” significa imagem e “moji”, caractere.
No fim dos anos 1990, o designer japonês Shigetaka Kurita criou para a operadora NTT DOCOMO um conjunto de 176 pequenos símbolos, desenhados em uma grade de apenas 12 por 12 pixels. Eles representavam coisas como clima, emoções, objetos e sinais.

O conjunto lançado em 1999 ajudou a estabelecer a linguagem visual que acabaria se transformando nos milhares de emojis disponíveis atualmente.

Meme: a palavra nasceu em um livro de biologia
Muito antes de significar uma foto acompanhada de uma frase engraçada, “meme” tinha um significado bem mais acadêmico.
O termo foi criado pelo biólogo britânico Richard Dawkins no livro O Gene Egoísta, publicado em 1976.

Dawkins procurava uma palavra para representar ideias, comportamentos e costumes que se espalham entre as pessoas por imitação, quase como os genes transmitem características biológicas.
Décadas depois, a internet transformaria exatamente esse conceito em imagens, vídeos, frases e piadas que são copiadas, modificadas e compartilhadas milhões de vezes.

Spam: a culpa é do Monty Python
O nome dado às mensagens indesejadas tem uma origem bastante curiosa.
Em um famoso quadro do grupo britânico Monty Python, a palavra “Spam”, marca de uma carne enlatada, é repetida dezenas de vezes durante uma cena até praticamente dominar a conversa.

Usuários das primeiras comunidades online começaram a usar “spam” para descrever mensagens repetitivas que inundavam discussões.
E as mensagens comerciais indesejadas são quase tão antigas quanto o próprio e-mail. Em 1978, Gary Thuerk, funcionário da empresa DEC, enviou uma propaganda de computadores para centenas de usuários da ARPANET, rede precursora da internet. O episódio é frequentemente apontado como o primeiro grande spam comercial enviado por e-mail.

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