Antes das telas gigantes, dos aplicativos e das câmeras capazes de produzir fotografias profissionais, os celulares tinham funções bem mais simples. Fazer ligações, enviar mensagens de texto e jogar a famosa cobrinha eram algumas das principais atrações. Mesmo assim, determinados aparelhos custavam uma pequena fortuna.
Nos anos 90 e 2000, ter um Motorola StarTAC, um Nokia ou um Sony Ericsson de última geração era, muitas vezes, sinal de status. Alguns modelos chegavam a custar vários salários mínimos, embora oferecessem recursos considerados básicos atualmente.
Mas você já imaginou quanto custariam esses celulares em 2026, se seus preços fossem corrigidos pela inflação? Reunimos dez aparelhos que marcaram época para relembrar seus preços e descobrir quanto dinheiro era necessário para adquirir essas pequenas maravilhas tecnológicas.
Os valores atuais são estimativas de equivalência inflacionária, não preços de revenda. Nos modelos com registros brasileiros disponíveis, a comparação utiliza o IPCA; quando só há preços estrangeiros documentados, essa diferença é indicada.
Nokia 3310 (2000)

Se existisse um campeonato de resistência entre celulares, o Nokia 3310 provavelmente seria um dos favoritos. O aparelho ficou famoso por sobreviver a quedas, ter uma bateria duradoura e oferecer jogos como Snake II, a inesquecível cobrinha.
Lançado em 2000, ele se popularizou no Brasil principalmente a partir de 2001. Dependendo da operadora e das condições de compra, podia custar cerca de R$ 400.
Com a inflação, esse valor já correspondia a aproximadamente R$ 1.566 em abril de 2025 e seria um pouco maior em 2026. É curioso imaginar que um aparelho sem câmera, internet moderna ou tela colorida representava um investimento considerável para muitas famílias.
Motorola StarTAC (1996)

O Motorola StarTAC foi um dos primeiros celulares que realmente pareciam ter saído de um filme de ficção científica. Pequeno para os padrões da época, pesava menos de 100 gramas e tinha um mecanismo de abrir e fechar que se tornaria extremamente popular nos anos seguintes.
Em abril de 1996, a Folha de S.Paulo anunciou que o aparelho chegaria aos consumidores brasileiros por aproximadamente R$ 2 mil. Era um valor altíssimo, especialmente considerando que o telefone servia basicamente para ligações.
Corrigida a inflação acumulada desde aquela época, a quantia representa hoje algo na ordem de R$ 10 mil ou mais, dependendo do mês adotado para o cálculo.
Motorola Razr V3 (2004)

Poucos aparelhos representaram tão bem o desejo de ter um celular moderno quanto o Motorola V3. Seu corpo ultrafino, o acabamento metálico e o teclado iluminado em azul fizeram dele um verdadeiro objeto de desejo.
Embora tenha sido apresentado em 2004, o modelo conquistou o mercado brasileiro principalmente em 2005.
Anúncios daquele ano registravam preços próximos de R$ 999, especialmente em ofertas vinculadas a operadoras. Em abril de 2025, essa quantia equivalia a aproximadamente R$ 2.915, corrigidos pelo IPCA.
Em valores de 2026, o investimento seria superior a R$ 3 mil, dependendo do período considerado.
Sony Ericsson W800i (2005)

Antes do Spotify e dos serviços de streaming, carregar centenas de músicas no bolso era uma novidade extraordinária. Foi justamente essa a proposta do Sony Ericsson W800i, um dos primeiros aparelhos a combinar de maneira convincente um celular e um tocador de MP3.
Lançado em 2005, o dispositivo tinha câmera de 2 megapixels, cartão de memória e fones de ouvido estéreo. Seu visual branco e laranja também ajudou a transformá-lo em um dos modelos mais desejados da época.
O preço sugerido no Brasil era de R$ 1.900, quantia que representava mais de seis salários mínimos daquele ano.
Aplicando a inflação acumulada, o valor hoje estaria na faixa de vários milhares de reais, provavelmente acima de R$ 5 mil, mesmo sem qualquer atualização tecnológica.
Nokia 1100 (2003)

Simples, resistente e com uma pequena lanterna integrada, o Nokia 1100 se transformou em um fenômeno mundial. Foram aproximadamente 250 milhões de unidades vendidas, um desempenho impressionante para um dispositivo que não tinha câmera, internet moderna nem tela colorida.
Seu principal atrativo era justamente a simplicidade. A bateria podia durar vários dias, os menus eram fáceis de utilizar e o aparelho suportava bem a rotina de quem precisava apenas telefonar e enviar mensagens.
Quando chegou ao Brasil, em 2003, custava aproximadamente R$ 249. Parece barato, mas era um pouco mais do que o salário mínimo daquele ano.
Corrigido pela inflação, esse valor já representava aproximadamente R$ 1.090 em meados de 2025, ficando um pouco acima disso em 2026.
BlackBerry Curve 8300 (2007)

Muito antes de o WhatsApp dominar as conversas, o BlackBerry era sinônimo de comunicação profissional. Seu teclado completo permitia escrever mensagens e responder e-mails com uma agilidade que impressionava na época.
O Curve 8300, lançado em 2007, trouxe um design mais arredondado, câmera de 2 megapixels e recursos multimídia que ajudaram a marca a conquistar consumidores fora do ambiente corporativo.
No Brasil, a Vivo comercializava o aparelho por valores entre R$ 749 e R$ 1.049, dependendo do plano contratado. Além do dispositivo, o consumidor precisava pagar pelos serviços de telefonia e dados.
Considerando a inflação brasileira acumulada desde 2007, esses preços representam hoje valores na casa de alguns milhares de reais, sem incluir as mensalidades do serviço.
LG Chocolate KG800 (2006)

O LG Chocolate foi um daqueles aparelhos que chamavam atenção antes mesmo de serem ligados. Seu acabamento preto brilhante e os controles sensíveis ao toque, iluminados em vermelho, davam a impressão de que o futuro havia chegado.
O modelo também tinha um mecanismo deslizante que escondia o teclado numérico. Bastava abrir o aparelho para completar uma experiência que parecia extremamente sofisticada.
Lançado no Brasil pela Vivo, o LG Chocolate custava R$ 899 na modalidade pós-paga e R$ 999 na pré-paga.
Corrigidos pela inflação, esses preços correspondiam a aproximadamente R$ 3.192 e R$ 3.547 em 2025, respectivamente. Em 2026, seriam ainda maiores. Tudo isso por um celular com câmera de apenas 1,3 megapixel.
Primeiro iPhone (2007)

Em 2007, a Apple apresentou um aparelho que mudaria para sempre a indústria de telefonia. O primeiro iPhone abandonava o teclado físico e apostava em uma grande tela sensível ao toque, permitindo navegar pela internet, visualizar fotografias e controlar diversas funções usando apenas os dedos.
O aparelho chegou às lojas americanas em 29 de junho de 2007, custando US$ 499 na versão de 4 GB e US$ 599 na versão de 8 GB, mediante contrato com a operadora AT&T. No Brasil, entretanto, quem desejasse ter aquela novidade precisava recorrer à importação, já que o modelo original nunca foi comercializado oficialmente por aqui.
A estreia oficial do iPhone no Brasil aconteceu somente em 26 de setembro de 2008, quando Vivo e Claro começaram a vender o iPhone 3G, segunda geração do aparelho. Os preços variavam conforme a operadora e o plano contratado, partindo de aproximadamente R$ 899 e chegando a R$ 2.599.

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