Quando pensamos em lugares ainda pouco explorados do planeta, é comum imaginar o fundo dos oceanos. Mas existe outro mundo praticamente escondido sob nossos pés. Minas, cavernas e perfurações científicas já revelaram formas de vida, água antiquíssima e estruturas naturais impressionantes a centenas ou até milhares de metros abaixo da superfície.
Algumas dessas descobertas são tão extremas que ajudam cientistas até mesmo a imaginar como a vida poderia sobreviver em outros planetas.
Uma caverna cheia de cristais gigantes

Em 2000, trabalhadores da mina de Naica, no México, encontraram uma enorme câmara a cerca de 300 metros de profundidade. O lugar estava repleto de cristais de gipsita gigantescos, alguns chegando a aproximadamente 12 metros de comprimento.
A chamada Caverna dos Cristais parece um cenário de ficção científica. O ambiente, porém, é extremamente hostil, com temperaturas que podem chegar perto de 58 °C e umidade muito alta, tornando a permanência humana bastante limitada.
Água que ficou isolada por bilhões de anos

Em uma mina de Ontário, no Canadá, pesquisadores coletaram água presa em fraturas de rochas a aproximadamente 2,4 quilômetros de profundidade.
Os estudos indicaram que parte desse líquido permaneceu isolada do ambiente externo por algo entre 1,5 e 2,64 bilhões de anos. Além da idade impressionante, a água continha hidrogênio e outros compostos capazes, em teoria, de fornecer energia para formas de vida microscópicas.
Um verme vivendo a mais de 1 quilômetro de profundidade

Durante pesquisas realizadas em minas da África do Sul, cientistas descobriram pequenos nematoides vivendo em águas presentes nas rochas profundas. Entre eles estava uma espécie até então desconhecida, posteriormente chamada de Halicephalobus mephisto.
O animal foi encontrado a cerca de 1,3 quilômetro abaixo da superfície, algo surpreendente porque durante muito tempo se imaginava que ambientes tão profundos fossem habitados praticamente apenas por microrganismos. Outras espécies de nematoides foram identificadas em águas provenientes de profundidades ainda maiores.
Uma bactéria que praticamente não precisa do mundo da superfície

Outra descoberta impressionante aconteceu na mina de ouro Mponeng, também na África do Sul. A cerca de 2,8 quilômetros de profundidade, pesquisadores encontraram um ecossistema dominado quase totalmente por uma única espécie de bactéria, a Desulforudis audaxviator.
Ela consegue sobreviver na completa escuridão e obtém energia de processos químicos ligados aos minerais e à radioatividade natural das rochas. Em outras palavras, sua existência não depende diretamente da energia do Sol, algo que despertou grande interesse de pesquisadores que estudam a possibilidade de vida subterrânea em outros planetas.
Pequenos animais vivendo quase 2 quilômetros dentro de uma caverna

Na caverna Krubera-Voronya, no Cáucaso, pesquisadores descobriram diversas formas de vida em profundidades extraordinárias. Uma delas é o Plutomurus ortobalaganensis, um pequeno artrópode sem olhos adaptado à escuridão permanente.
Exemplares foram encontrados a cerca de 1.980 metros abaixo da entrada da caverna. O animal possui antenas longas e vive entre fungos e matéria orgânica que chegam às regiões mais profundas do sistema subterrâneo.

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