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Do iPhone dobrável ao Walkman: 6 lançamentos que pareciam coisa do futuro quando chegaram

ONEberto
ONEberto Publicados 10 de setembro de 2026
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8 leitura mínima

Nesta quarta-feira (9), a Apple voltou a chamar atenção do mercado ao apresentar o iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável. Embora celulares desse tipo já existam há alguns anos, a entrada da Apple nesse segmento pode ajudar a transformar um formato ainda incomum em algo cada vez mais presente no cotidiano.

Não seria a primeira vez que isso acontece. Ao longo das últimas décadas, vários produtos foram recebidos como algo estranho, exagerado ou quase futurista. Alguns provocaram filas, outros foram ridicularizados e houve até aqueles que inicialmente fizeram o público perguntar para que serviriam. Anos depois, muitas das ideias apresentadas por eles se tornaram tão comuns que quase esquecemos o impacto causado no lançamento.

O iPhone mostrou que um celular não precisava de teclado

Quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, em janeiro de 2007, os smartphones já existiam, assim como aparelhos com telas sensíveis ao toque. A grande mudança estava na forma como a Apple reuniu tudo isso em uma interface praticamente controlada pelos dedos, abandonando o teclado físico que dominava aparelhos da época.

A demonstração impressionou até jornalistas presentes no evento. A WIRED relatou que repórteres chegaram a reagir com espanto ao ver recursos como ampliar fotografias com os dedos e girar automaticamente a página ao virar o aparelho. A publicação dizia que o iPhone poderia mudar o mercado de celulares.

Hoje, tocar, arrastar e fazer o movimento de pinça sobre uma tela são ações tão naturais que até crianças aprendem antes mesmo de saber ler.

O que parecia novidade: controlar praticamente tudo com os dedos.
O que virou rotina: praticamente todos os smartphones modernos.

O Walkman fez as pessoas andarem pela rua ouvindo música sozinhas

Em 1979, carregar músicas consigo significava levar um aparelho relativamente grande. Quando a Sony lançou o Walkman, a ideia de colocar fones de ouvido e sair andando pela rua ouvindo sua própria trilha sonora ainda parecia incomum.

Curiosamente, nem dentro da própria Sony havia certeza de que aquilo seria um sucesso. O aparelho só reproduzia fitas e não gravava, algo que chegou a ser apontado como uma deficiência. A empresa inicialmente produziu apenas 30 mil unidades no Japão. Pouco tempo depois, o estoque havia desaparecido.

O conceito inaugurado pelo Walkman atravessaria décadas: Discman, MP3 player, iPod e finalmente o celular.

O que parecia novidade: cada pessoa carregar sua própria música.
O que virou rotina: fones de ouvido em praticamente qualquer lugar.

Windows 95 fez pessoas entrarem em filas para comprar… um sistema operacional

Talvez seja uma das cenas mais difíceis de imaginar atualmente: pessoas esperando até meia-noite na porta de lojas para comprar uma caixa com um sistema operacional de computador.

Foi exatamente o que aconteceu em agosto de 1995. O lançamento do Windows 95 ganhou proporções semelhantes às que décadas depois teriam os lançamentos do iPhone. A Microsoft utilizou até “Start Me Up”, dos Rolling Stones, em sua gigantesca campanha de divulgação.

Um dos elementos apresentados naquele momento continua conosco mais de 30 anos depois: o botão Iniciar e a ideia de organizar programas em um menu facilmente acessível.

O que parecia novidade: uma interface simples para controlar o computador.
O que virou rotina: a maneira como bilhões de pessoas passaram a utilizar PCs.

O iPad foi chamado praticamente de “iPhone gigante”

Quando Steve Jobs apresentou o iPad em 2010, nem todo mundo entendeu por que precisaria de um aparelho entre o notebook e o smartphone.

Uma das comparações mais frequentes era justamente a de que o produto parecia simplesmente um iPhone gigante. Uma pesquisa realizada pela WIRED logo após o anúncio mostrou que cerca de 60% dos leitores disseram não pretender comprar o aparelho, em boa parte porque já possuíam notebooks e smartphones.

Hoje, tablets são utilizados em escolas, hospitais, restaurantes, aviões, lojas, trabalho remoto e entretenimento.

O que parecia novidade: um computador que era praticamente apenas uma tela.
O que virou rotina: tablets usados para trabalhar, estudar e consumir conteúdo.

O Kindle tentou convencer as pessoas a abandonar o papel

Em 2007, a Amazon apresentou um aparelho que custava cerca de US$ 400 e tinha uma missão bastante ambiciosa: convencer leitores de que poderiam carregar uma biblioteca inteira dentro de um dispositivo eletrônico.

A aparência do primeiro Kindle foi bastante criticada e as avaliações iniciais estavam longe de ser unanimidade. Mesmo assim, o aparelho rapidamente ficou esgotado. A WIRED lembra que o primeiro modelo desapareceu dos estoques poucas horas depois do lançamento.

O Kindle não matou o livro impresso, mas ajudou a transformar livros digitais em um formato absolutamente normal.

O que parecia novidade: comprar um livro e começar a lê-lo imediatamente sem receber nada fisicamente.
O que virou rotina: bibliotecas inteiras armazenadas em um pequeno aparelho.

O Wii mostrou que videogame também poderia ser jogado mexendo o corpo

Quando a Nintendo revelou o controle do Wii, que detectava movimentos, muita gente não sabia exatamente o que pensar. Em comparação com o PlayStation 3 e o Xbox 360, o aparelho também possuía hardware consideravelmente mais modesto.

Mas a Nintendo apostou justamente em algo que qualquer pessoa poderia entender: balançar uma raquete imaginária e ver o movimento reproduzido na televisão.

Antes mesmo do lançamento havia enormes filas para testar o aparelho em feiras. Depois que chegou às lojas em 2006, vendeu centenas de milhares de unidades nos primeiros dias em diferentes mercados.

Tecnologias de movimento continuariam aparecendo posteriormente em controles, realidade virtual e diversos outros dispositivos.

O que parecia novidade: movimentar o próprio corpo para controlar um jogo.
O que virou rotina: controles por movimento e experiências de realidade virtual.

E agora, o iPhone que se dobra

O curioso é que o novo iPhone Duo está chegando em uma situação bastante diferente daquela enfrentada pelo primeiro iPhone.

A Apple não inventou o smartphone dobrável. Samsung, Huawei, Google e outras empresas já vendem aparelhos desse tipo há anos. O que torna o lançamento interessante é observar se a chegada da Apple conseguirá fazer com os dobráveis algo parecido com o que ocorreu em outras categorias: transformar uma tecnologia ainda considerada de nicho em algo mais comum.

O aparelho abre como um pequeno livro, possui tela interna de 7,6 polegadas e pode executar aplicativos lado a lado. Seu preço inicial nos Estados Unidos é de US$ 1.999.

Talvez daqui a dez anos olhar para alguém abrindo o celular ao meio seja tão banal quanto hoje deslizar o dedo sobre uma tela. E justamente aí está a parte mais interessante da história: quando uma tecnologia realmente vence, chega um momento em que esquecemos que um dia ela pareceu estranha.

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Tag:Inusitadas
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Sobre o autor

QUEM FAZ Humberto Oliveira tem 50 anos, soteropolitano, amante de esportes, com terceira em Lua de Plutão, na primeira casa em Urano… não suporta astrologia, manuais e jogos de azar.

Instagram: @one.berto

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