Existem cidades construídas no meio do deserto, vilarejos praticamente inacessíveis e até comunidades instaladas dentro de crateras vulcânicas. Em alguns desses lugares, chegar ao supermercado, receber uma encomenda ou simplesmente sair de casa pode ser muito mais complicado do que imaginamos.
Ainda assim, milhares de pessoas transformaram alguns dos ambientes mais improváveis do planeta em seus lares.
La Rinconada, Peru

Imagine morar a mais de 5 mil metros de altitude, onde o ar tem muito menos oxigênio e as temperaturas frequentemente ficam abaixo de zero. Essa é a realidade de La Rinconada, nos Andes peruanos.
Localizada a cerca de 5.100 metros acima do nível do mar, ela é considerada pelo Guinness a comunidade permanente situada na maior altitude do planeta. A cidade cresceu principalmente em torno da mineração de ouro e enfrenta problemas sérios de infraestrutura, incluindo saneamento precário e dificuldades para coleta de lixo.
Mesmo assim, milhares de pessoas continuam vivendo e trabalhando por lá.
Coober Pedy, Austrália

No meio de uma das regiões mais áridas da Austrália existe uma cidade onde parte dos moradores encontrou uma solução curiosa para escapar do calor: morar embaixo da terra.
Coober Pedy cresceu graças à mineração de opala. Muitas casas, hotéis, igrejas e estabelecimentos foram escavados diretamente nas rochas, formando os famosos dugouts. O isolamento e as temperaturas extremas fizeram das construções subterrâneas uma alternativa bastante prática.
O lugar está longe de ser uma cidade fantasma. O censo australiano de 2021 registrou cerca de 1.500 moradores na região de Coober Pedy.
Aogashima, Japão

Do alto, Aogashima parece cenário de filme: uma pequena ilha vulcânica cercada pelo oceano, com uma enorme caldeira ocupando boa parte de seu território.
O detalhe mais surpreendente é que há uma comunidade vivendo ali.
A ilha pertence administrativamente a Tóquio, apesar de ficar a aproximadamente 358 quilômetros da região central da capital japonesa. Sua população gira em torno de apenas 160 habitantes. Não existem voos diretos de Tóquio: normalmente é necessário ir primeiro até Hachijojima e depois seguir de helicóptero ou barco.
E existe outro detalhe nada tranquilizador: Aogashima continua sendo uma ilha de origem vulcânica. Uma grande erupção ocorrida em 1785 chegou a obrigar os moradores a abandonarem o local por décadas.
Supai, Estados Unidos

Supai fica no interior do Grand Canyon, no Arizona, e é a principal comunidade do povo Havasupai.
O que torna o lugar impressionante não são apenas os enormes paredões ao redor, mas o acesso.
Não existe estrada chegando até o vilarejo.
Depois do estacionamento em Hualapai Hilltop, veículos simplesmente não conseguem continuar. O restante do caminho precisa ser feito a pé, a cavalo, com mulas ou por helicóptero.
Isso significa que transportar alimentos, materiais e outros itens básicos exige uma logística completamente diferente daquela encontrada em praticamente qualquer cidade comum.
Whittier, Alasca

Whittier parece inicialmente apenas mais uma pequena cidade cercada pelas montanhas geladas do Alasca. Mas existe uma peculiaridade que tornou o lugar famoso mundialmente.
Boa parte da população mora no mesmo prédio.
O Begich Towers é um enorme edifício construído originalmente durante o período militar da cidade. Além de apartamentos, algumas áreas do prédio são utilizadas por empresas e prestadores de serviços locais. Um planejamento municipal registrou quase 200 unidades dentro do complexo.
Whittier possui menos de 300 habitantes permanentes e fica cercada por montanhas, neve e condições climáticas bastante severas durante parte do ano.
O resultado é provavelmente uma das situações mais curiosas desta lista: uma comunidade onde encontrar praticamente qualquer vizinho pode significar simplesmente pegar o elevador.

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