:: Mais sobre o jovem que se matou ::

Postei semana passada sobre um jovem que se matou e foi acompanhado pela internet. Não consegui muita coisa, informação só uma entrevista da jovem que avisou a polícia sobre o acontecimento. Lindsey, estudante de Antropologia na Universidade de Toronto, no Canadá, lamenta não ter conseguido avisar as autoridades a tempo. Foi ela quem alertou a Polícia de Toronto, que por sua vez informou a Polícia Federal, na Capital, sobre um suicídio em curso de um garoto de 16 anos, no bairro São Geraldo.

Aos 23 anos, ela dialogava com o gaúcho havia dois meses pela Internet. Os dois freqüentavam salas de bate-papo onde falavam sobre música e outros assuntos. Ontem, Lindsey deu uma entrevista a Zero Hora pelo MSN, programa de mensagens instantâneas. Confira trechos da conversa:

Zero Hora – Quando você o conheceu?

Lindsey – Há alguns meses, não muito. Eu nunca falei diretamente com ele. Escrevíamos no mesmo fórum, apenas. Eu postei no mesmo quadro de mensagens que ele postava, mas nunca falei com ele no MSN.

ZH – Como você percebeu que ele pensava em se matar?

Lindsey – Ele começou a fazer comentários sobre como ele planejava se matar. No começo, a maioria de nós (outras pessoas que também freqüentavam a mesma sala) pensou: “bem, é apenas um adolescente”.

ZH – Quando você o levou a sério?

Lindsey – Ele começou a falar mais sério sobre isso, e aí descobri com alguém na sala de bate-bapo que ele estava postando em outras salas sobre suicídio. Todos nós começamos a nos preocupar e realmente não sabíamos o que fazer.

ZH – Havia muito tempo que ele falava nisso?

Lindsey – Um amigo disse que ele estava para baixo em abril passado. Eu acho que nenhum de seus amigos (em Porto Alegre) sabia desta realidade. É muito mais fácil falar sobre seus sentimentos online. Você não fica com vergonha. Mas nem sempre funciona para o bem. Há pessoas que até nas “boas” salas de mensagens podem ser cruéis.

ZH – Outras pessoas avisaram a você sobre o que ele estava escrevendo?

Lindsey – Sim. Essas pessoas, que ele não conhecia na vida real, mostraram as ameaças. Nós precisávamos descobrir onde ele morava para dizer à polícia aonde ir.

ZH – Como você conseguiu o endereço dele para passar aos policiais?

Lindsey – Um outro amigo certa vez enviou um pacote para o endereço dele, em Porto Alegre. Era um CD. Nós presumimos que ainda seria o mesmo endereço.

ZH – O que você achou da ação da polícia?

Lindsey – Estou satisfeita que alguém tenha me levado a sério, mesmo que não tenham conseguido em tempo.

ZH – Você leu as mensagens que ele escreveu em um fórum no momento em que estava se matando?

Lindsey – Eu as vi e aí, quando consegui o endereço, chamei a polícia. Ninguém que eu conheça posta aquele tipo de coisa.

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