No fundo do mar, longe dos olhos da maioria das pessoas, existe um tipo de museu que não para de mudar. Criadas pelo artista Jason deCaires Taylor, essas esculturas submersas foram pensadas não apenas como obras de arte, mas como parte do próprio ecossistema marinho. Com o passar do tempo, elas são cobertas por corais, algas e vida marinha, se transformando lentamente em algo completamente diferente do que eram no início.
Vicissitudes (2006) — Granada, Caribe
Um círculo de crianças de mãos dadas no fundo do mar. A obra simboliza união, mas também as mudanças constantes do planeta. Com o tempo, corais e vida marinha transformam completamente as figuras.

The Silent Evolution (2009–2013) — Cancún, México
Essa instalação faz parte do MUSA (Museo Subacuático de Arte), em Cancún, e reúne mais de 450 esculturas humanas em tamanho real.
O objetivo vai além da arte: o projeto foi criado para reduzir a pressão turística sobre recifes naturais da região. Hoje, as esculturas funcionam como habitat para peixes, corais e outras espécies marinhas.

Selfies sem rosto
O Museo Atlántico é o primeiro museu de arte subaquática da Europa e do Oceano Atlântico. Está situado na Reserva da Biosfera Mundial da UNESCO em Lanzarote e é acessível a mergulhadores e praticantes de snorkeling. O projeto monumental levou mais de três anos para ser planejado e construído e inclui mais de 300 moldes em tamanho real colocados em uma área de fundo marinho anteriormente estéril de 50m x 50m.

The Lost Correspondent — Granada, Caribe
Instalada também em Molinere Bay, mostra um homem sentado diante de uma máquina de escrever.
A obra levanta reflexões sobre comunicação, isolamento e a forma como registramos a realidade. Hoje, a máquina e o corpo estão parcialmente cobertos por organismos marinhos, como se o tempo estivesse literalmente apagando a mensagem.

Anthropocene — Cancún, México
Uma das esculturas mais simbólicas do MUSA: um carro cheio de pessoas olhando para baixo, como se estivessem presas em suas próprias bolhas.
O nome faz referência à era geológica atual, marcada pelo impacto humano no planeta. A cena mistura tecnologia, consumo e alienação — tudo afundado no mar.

The Gardener of Hope — Cancún, México
Uma menina ajoelhada plantando corais no fundo do mar. A obra simboliza regeneração e responsabilidade ambiental.
Além do simbolismo, ela realmente ajuda o ecossistema: a estrutura foi projetada com materiais que facilitam a fixação de corais e organismos marinhos.

Imortal, Museu Atlântico, Lanzarote, Espanha

Ocean Atlas (2014) — Bahamas
Localizada em Nassau, nas Bahamas, essa é considerada uma das maiores esculturas subaquáticas do mundo, com mais de 5 metros de altura.
A figura de uma jovem sustentando o oceano simboliza o peso da responsabilidade humana sobre o meio ambiente. A obra também ajuda a reduzir a erosão e serve como base para recifes artificiais.

Inércia, Musa, México
A obra “Inércia” retrata uma figura humana em tamanho real sentada em um sofá, absorta assistindo à televisão, representando a complacência e o consumo passivo da atualidade. Os objetos ao redor enfatizam o distanciamento da realidade ambiental e a dependência excessiva do conforto e da conveniência.

Nest (2018) — Bali, Indonésia
Localizada próxima às Ilhas Gili, em Bali, essa instalação reúne dezenas de figuras humanas encolhidas em posição fetal, formando um círculo.
A obra mistura fragilidade e conexão humana. Hoje, já está parcialmente coberta por corais, se tornando literalmente parte do ecossistema local.


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