Algumas fotografias atravessaram décadas e se tornaram símbolos de guerras, conquistas, tragédias e momentos que mudaram o mundo. Mas uma curiosidade permanece escondida por trás dessas imagens: onde estão hoje os negativos, filmes e registros originais que deram origem a esses cliques históricos? Em muitos casos, eles continuam preservados em arquivos, museus e até cofres climatizados.
A “Mãe Migrante” da Grande Depressão
A fotografia feita por Dorothea Lange em 1936 se tornou uma das imagens mais conhecidas da Grande Depressão americana. Florence Owens Thompson aparece cercada pelos filhos em um acampamento de trabalhadores rurais na Califórnia.
O negativo original de nitrato, com apenas 4 x 5 polegadas, continua preservado na Divisão de Fotografias e Gravuras da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington. A própria instituição o considera uma das imagens mais famosas de seu acervo.

Os operários almoçando no alto de Nova York
É provavelmente uma das fotografias mais reproduzidas do século XX: 11 trabalhadores sentados tranquilamente sobre uma viga durante a construção do Rockefeller Center, em 1932.
O mais curioso é o estado do original. O negativo de vidro se quebrou em cinco pedaços. Mesmo assim, foi preservado e hoje faz parte do Bettmann Archive, mantido em uma instalação climatizada da Iron Mountain, na Pensilvânia. O local funciona praticamente como um cofre subterrâneo para milhões de fotografias históricas.

A bandeira americana sendo erguida em Iwo Jima
Joe Rosenthal registrou em fevereiro de 1945 o momento em que militares americanos levantavam a bandeira no monte Suribachi, durante a Segunda Guerra Mundial. A imagem ganhou o Pulitzer e acabou reproduzida em cartazes, selos e monumentos.
Ao contrário do que poderia parecer, o negativo não desapareceu depois de tantas reproduções. O negativo original de 4 x 5 polegadas está preservado na biblioteca fotográfica da Associated Press, em Nova York. A própria AP já exibiu publicamente o negativo e o envelope usado por Rosenthal para identificá-lo.

A menina correndo após um ataque de napalm no Vietnã
A fotografia feita em 1972 mostrando crianças fugindo após um ataque com napalm se transformou em uma das imagens mais conhecidas da Guerra do Vietnã.
Décadas depois, aquele pequeno pedaço de filme continua existindo. O negativo original está guardado na Photo Library da Associated Press, em Nova York. Em 2022, ele chegou a ser retirado do arquivo e mostrado durante uma visita de Kim Phuc, a menina que aparece no centro da fotografia.

“Earthrise”: a Terra surgindo sobre a Lua
Na véspera do Natal de 1968, durante a Apollo 8, William Anders fotografou a Terra aparecendo sobre o horizonte lunar. A imagem conhecida como Earthrise ajudou a mudar a maneira como a humanidade enxergava o próprio planeta.
E o filme que passou pela câmera Hasselblad naquela viagem ainda existe. Os filmes originais das missões Apollo são conservados no Arquivo de Filmes do Johnson Space Center da NASA, em Houston. Eles ficam dentro de um cofre refrigerado no Building 8 e não podem sequer deixar o prédio. Quando precisam ser digitalizados, passam por um lento processo de adaptação de temperatura antes de serem manuseados.

O beijo do fim da Segunda Guerra em Times Square
A cena de um marinheiro beijando uma mulher durante as comemorações da rendição japonesa, em agosto de 1945, foi registrada por Alfred Eisenstaedt e virou uma das fotografias mais reconhecidas do século XX.
O negativo pertence ao acervo histórico da LIFE Photo Collection, hoje administrado comercialmente através da Getty Images. Já existem também cópias produzidas e assinadas pelo próprio Eisenstaedt em importantes museus, como o International Center of Photography, em Nova York.


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