Os artilheiros do Campeonato Brasileiro da Série A

O Brasil mantém registros de seus maiores artilheiros há mais tempo do que mantém uma única tabela de classificação, e essa honra tem seu próprio troféu. A revista Placar criou a Bola de Prata em 1970 como um prêmio para o melhor jogador em cada posição, acrescentando um troféu separado para o artilheiro em 1975. A ESPN Brasil organiza o prêmio desde 2016. Desde 2024, a CBF também concede ao artilheiro um prêmio próprio, o Troféu Roberto Dinamite, no valor de R$ 100.000, mais R$ 5.000 por gol.

Os recordes de gols também estão por trás de boa parte do que os mercados de Previsões e Cotas de Apostas da Betfair Brasil para o Campeonato Brasileiro da Série A oferecem, pois a disputa pelo título de artilheiro se decide ao longo de 38 rodadas, e não em uma única tarde.

Roberto Dinamite e o recorde histórico

Roberto Dinamite marcou 190 gols no Campeonato Brasileiro entre 1971 e 1992, e apenas Fred, com 158, chegou perto desse número. Ele jogou quase toda a sua carreira pelo Vasco da Gama, com uma breve e infeliz passagem pelo Barcelona entre 1979 e 1980 no meio, e é o maior artilheiro do clube por uma ampla margem. O recorde permanece intacto há mais de 30 anos, e o calendário atual torna mais difícil, e não mais fácil, aproximar-se dele, pois os melhores atacantes partem para a Europa ainda no início dos seus vinte anos.

Reinaldo em 1977

A marca de gols por partida em uma única temporada do formato antigo, que vigorou até 2006, pertence a Reinaldo, que marcou 28 gols pelo Atlético Mineiro em 18 partidas em 1977. Essa média de 1,55 gols por partida nunca foi superada em um único Campeonato Brasileiro, embora o total de 28 gols tenha durado apenas 20 anos: Edmundo marcou 29 pelo Vasco em 1997, Dimba 31 pelo Goiás em 2003 e Washington marcou 34 pelo Athletico Paranaense em 2004.

Reinaldo tinha 20 anos. Lesões no joelho lhe custaram a maior parte do que deveria ter sido seu auge, e ele é lembrado tanto por levantar o punho cerrado após marcar gols durante a ditadura militar quanto pelos próprios gols.

Washington em 2004

A era do campeonato de pontos corridos produziu seu próprio caso excepcional quase imediatamente. Washington marcou 34 gols pelo Atlético Paranaense em 2004, em 38 partidas disputadas em uma temporada de 46 jogos, com a participação de 24 clubes na divisão.

Ele havia sido hospitalizado por um problema cardíaco no Fenerbahçe no final de 2002 e ficou um ano afastado dos gramados.

Ninguém igualou esse total desde então, e a temporada mais curta de 38 rodadas, agora em vigor, torna isso improvável.

Os recordes da era moderna de 38 rodadas

Os 26 gols de Germán Cano pelo Fluminense em 2022 são o recorde da era de 38 rodadas, e os 25 gols de Gabriel Barbosa pelo Flamengo em 2019 vêm em seguida; Jonas, em 2010, e Borges, em 2011, terminaram ambos com 23 gols. Gabigol também havia conquistado a Bola de Prata no ano anterior, com 18 gols pelo Santos, o que era um total comum para a época; o mesmo número liderou a tabela em 2014, 2017 e 2020, e 14 gols foram suficientes em 2016.

Cano tinha 34 anos quando marcou seus 26 gols. Ele é argentino, mas fez nome no futebol colombiano e veio para o Brasil quando o Vasco o contratou do Independiente Medellín em dezembro de 2019; ele deixou o Vasco dois anos depois e assinou com o Fluminense no mesmo mês. Ambas as temporadas em que Gabigol foi artilheiro ocorreram em times que disputavam a Copa Libertadores: o Santos chegou às oitavas de final em 2018, o Flamengo venceu a competição em 2019, enquanto o Fluminense de Cano foi eliminado da Libertadores na terceira fase de qualificação, derrotado nos pênaltis pelo Olimpia em março, e passou o resto do ano na Copa Sul-Americana.

Romário e Fred, as longas carreiras

Romário foi o artilheiro do campeonato em 2001 e novamente em 2005, quando tinha 39 anos, e ocupa uma posição de destaque na lista de todos os tempos, apesar de ter passado seus anos de auge na Holanda e na Espanha. Fred fez algo semelhante, mas ao contrário: voltou do Lyon em 2009 e marcou gols em duas passagens pelo Fluminense, antes e depois de suas passagens pelo Atlético Mineiro e pelo Cruzeiro, conquistando a Bola de Prata em 2012, quando o Fluminense conquistou o título, enquanto a Bola de Ouro foi para Ronaldinho Gaúcho. Ambos mostram como seria o livro de recordes se os melhores atacantes do Brasil tivessem ficado no país.

O goleiro da lista

Rogério Ceni marcou 131 gols em sua carreira pelo São Paulo, 69 em pênaltis e 61 em cobranças de falta, sendo 65 deles no campeonato nacional. Ele é o goleiro que mais marcou gols na história do esporte em qualquer lugar. Nenhum outro campeonato tem um número comparável, e o fato de ele ter sido confiado a essa função por 20 anos diz muito sobre como os clubes brasileiros tratavam os especialistas em jogadas de bola parada.

Por que a disputa pelo título de artilheiro permanece aberta

Duas características do campeonato o mantêm competitivo. A primeira é o mercado de transferências, que regularmente retira o artilheiro do campeonato no meio da temporada — um fator de pressão que mudou com o calendário de 2026, que vai de janeiro a dezembro em torno da Copa do Mundo. A cobertura em língua portuguesa se refere aos mercados da liga como listas de aposta Brasileirão, administradas por operadoras licenciadas do .bet.br desde que a regulamentação entrou em vigor em janeiro de 2025, com idade mínima de 18 anos.

O resultado é uma tabela de artilheiros que raramente se define antes do último mês. Um atacante com 15 gols em setembro não tem caminho livre para nada, porque o calendário entre essa data e dezembro decidirá com que frequência ele realmente jogará. Essa é uma característica do calendário brasileiro, e não um acaso, e tem mantido o recorde de Roberto Dinamite intacto há três décadas.

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