Quem nasceu depois dos anos 1990 talvez estranhe, mas houve uma época em que o brasileiro mal se acostumava com o nome de uma moeda e já precisava aprender outro. Em menos de uma década, o país passou por uma sequência de planos econômicos, cortes de zeros, congelamentos de preços e novas cédulas, tudo na tentativa de controlar uma inflação que parecia impossível de vencer.
1986: chega o Cruzado

Em fevereiro de 1986, o governo José Sarney lançou o Plano Cruzado. A nova moeda substituiu o cruzeiro na proporção de mil para um e veio acompanhada de congelamento de preços e salários. No início, muita gente acreditou que o problema da inflação finalmente havia sido resolvido, e consumidores chegaram a fiscalizar supermercados para denunciar aumentos. A tranquilidade, porém, durou pouco.
1989: aparece o Cruzado Novo

Com a inflação novamente fora de controle, surgiu o cruzado novo. Mais uma vez, três zeros foram cortados: mil cruzados passaram a valer um cruzado novo. Algumas cédulas antigas receberam carimbos indicando o novo valor, algo que acabou se tornando uma imagem bastante comum daquele período. Cruzado Novo foi criado no governo do presidente José Sarney, em 1989, como parte do Plano Verão.
1990: o Cruzeiro está de volta

Pouco mais de um ano depois, durante o governo Fernando Collor, o cruzado novo voltou a se chamar cruzeiro. Dessa vez, não houve corte de zeros: um cruzado novo passou a valer um cruzeiro. A mudança fez parte do Plano Collor, que ficou marcado principalmente pelo bloqueio de parte do dinheiro depositado em contas bancárias e cadernetas de poupança.
1993: nasce o Cruzeiro Real

A inflação continuava muito alta e, em agosto de 1993, surgiu o cruzeiro real no governo de Itamar Franco. Novamente, três zeros desapareceram: mil cruzeiros passaram a valer um cruzeiro real. Para quem vivia aquela época, trocar o nome da moeda e refazer contas já começava a parecer parte da rotina.
1994: antes do Real veio a URV

Antes de lançar uma nova moeda, o Plano Real criou a URV, a Unidade Real de Valor. Ela não circulava em notas ou moedas, mas servia como referência para preços e salários. Enquanto os pagamentos continuavam sendo feitos em cruzeiros reais, a economia começava a se acostumar a uma unidade de valor mais estável.
1º de julho de 1994: finalmente chega o Real

Em 1º de julho de 1994, ainda no governo Itamar Franco, mas sob o comando do ministro Fernando Henrique Cardoso, o real começou a circular. Cada real equivalia a 2.750 cruzeiros reais. A grande diferença é que, dessa vez, o plano conseguiu reduzir drasticamente a inflação e trouxe muito mais estabilidade aos preços.
Entre 1986 e 1994, o caminho foi este:
Cruzeiro → Cruzado → Cruzado Novo → Cruzeiro → Cruzeiro Real → Real
Foram cinco mudanças de moeda em apenas oito anos. Talvez o mais difícil de explicar para quem não viveu aquele período seja a velocidade com que o dinheiro perdia valor. Muitas famílias corriam para fazer compras assim que recebiam o salário, porque deixar o dinheiro parado significava perder poder de compra em pouco tempo.
Hoje, guardar uma nota de cruzado, cruzado novo ou cruzeiro pode parecer apenas uma curiosidade. Mas essas cédulas também são lembranças de uma época em que o brasileiro nunca tinha certeza de quanto seu dinheiro valeria no mês seguinte.

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