Em 2 de dezembro de 1983, a MTV exibiu um videoclipe que mudaria para sempre a maneira de produzir vídeos musicais. Com quase 14 minutos de duração, zumbis, lobisomens, maquiagem cinematográfica e uma coreografia inesquecível, Thriller, de Michael Jackson, parecia mais um filme de terror do que um clipe convencional.
Mais de quatro décadas depois, a produção continua sendo uma referência mundial. Mas o que muita gente não sabe é que sua realização envolveu resistência da gravadora, dificuldades financeiras e até o risco de nunca chegar ao público.
Michael Jackson queria se transformar em um monstro

A ideia nasceu depois que Michael assistiu ao filme Um Lobisomem Americano em Londres, lançado em 1981. Impressionado com os efeitos especiais, ele procurou o diretor John Landis e perguntou se também poderia se transformar em uma criatura assustadora.
O detalhe curioso é que Michael não gostava muito de filmes de terror, pois os considerava assustadores demais. Ainda assim, queria experimentar a transformação diante das câmeras.
A gravadora não queria bancar a produção
Quando surgiu a ideia de gravar Thriller, o álbum já era um fenômeno de vendas. Por isso, os executivos da gravadora não viam sentido em investir uma fortuna em outro videoclipe.
O orçamento era extraordinário para os padrões de 1983. John Landis mencionou um custo de cerca de US$ 500 mil, enquanto outros relatos sobre o projeto completo apontam valores ainda maiores.
A solução foi produzir também um documentário de bastidores e negociar seus direitos de exibição com emissoras de televisão.
O clipe foi pensado para passar no cinema

Ao contrário dos videoclipes tradicionais, que tinham poucos minutos, Thriller foi filmado em película de 35 mm, com roteiro, diálogos, atores e uma estrutura cinematográfica.
A produção chegou a ser exibida nos cinemas de Los Angeles antes de estrear na MTV, numa tentativa de torná-la elegível à disputa do Oscar de curta-metragem.
Não era apenas uma música com imagens. Era um pequeno filme.
O monstro de Michael não era exatamente um lobisomem

Embora muita gente chame a criatura da primeira transformação de lobisomem, o diretor John Landis explicou que a ideia era criar algo mais próximo de um felino monstruoso.
O visual, desenvolvido pelo especialista Rick Baker, ganhou olhos amarelos, dentes afiados e características que misturavam elementos humanos e animais. Landis chegou a chamar a criatura de werecat, algo como um homem-gato.
A voz assustadora pertence a uma lenda do cinema de terror

Aquela voz grave e assustadora que aparece na música é de Vincent Price, ator famoso por seus filmes de terror.
Price gravou a narração macabra que termina com uma gargalhada sinistra, um dos momentos mais conhecidos da canção. Sua participação ajudou a dar a Thriller uma atmosfera de filme clássico de horror.
A famosa jaqueta vermelha foi criada especialmente para o clipe

A jaqueta vermelha usada por Michael não foi escolhida por acaso. Ela foi criada pela figurinista Deborah Nadoolman Landis, esposa do diretor.
Com seu formato geométrico, faixas pretas e ombros marcantes, a peça acabou se tornando uma das roupas mais reconhecidas da história da música.
Thriller ajudou a criar a febre dos documentários de bastidores

Para ajudar a financiar a produção, a equipe decidiu registrar o processo de gravação em um documentário chamado Making Michael Jackson’s Thriller.
O material mostrava os ensaios, as maquiagens e os truques usados durante as filmagens. Lançado em VHS, tornou-se um enorme sucesso comercial.
Era uma maneira de o público descobrir como a magia do videoclipe tinha sido criada, algo que se tornaria bastante popular nas décadas seguintes.
Foi o primeiro videoclipe a entrar para um importante arquivo histórico
Em 2009, Thriller fez história novamente ao se tornar o primeiro videoclipe incluído no National Film Registry, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
O reconhecimento é reservado a produções consideradas importantes para a cultura, a história e o cinema.
Mais de 25 anos depois de seu lançamento, Thriller deixava oficialmente de ser apenas um sucesso musical para se tornar também um patrimônio audiovisual.

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