As fronteiras entre países costumam ser associadas a postos de fiscalização, cercas e placas enormes. Em alguns cantos do mundo, porém, a divisão é bem menos organizada. Há lugares onde basta atravessar uma sala, subir alguns degraus ou mudar de lado na cama para entrar oficialmente em outro país.
Baarle, entre Bélgica e Países Baixos
Baarle parece uma cidade desenhada por alguém que resolveu transformar o mapa em um quebra-cabeça. A região reúne pequenos territórios belgas cercados pelos Países Baixos, além de áreas holandesas localizadas dentro dessas porções belgas. Para deixar tudo ainda mais curioso, a fronteira atravessa ruas, calçadas, lojas, jardins e diversas residências.

Linhas e cruzes pintadas no chão indicam onde termina um país e começa o outro. Em alguns imóveis, a fronteira passa diretamente pela porta de entrada. Como a localização da porta costuma determinar em qual município o endereço será registrado, algumas casas possuem números diferentes ou até duas campainhas. Em poucos passos, uma pessoa pode atravessar a fronteira várias vezes sem sair da mesma rua.
Uma biblioteca dividida entre Canadá e Estados Unidos
A Haskell Free Library and Opera House foi construída propositalmente sobre a fronteira entre Derby Line, nos Estados Unidos, e Stanstead, no Canadá. Uma faixa preta no piso mostra exatamente onde está a divisão. Parte do acervo fica em território canadense, enquanto a entrada principal e boa parte dos assentos do teatro estão do lado americano.


Isso permite situações curiosas, como escolher um livro nos Estados Unidos e caminhar poucos metros para lê-lo no Canadá. O palco da casa de ópera fica em território canadense, mas parte da plateia assiste ao espetáculo sentada nos Estados Unidos. Atualmente, o prédio não pode ser utilizado como passagem entre os países, e cada visitante deve seguir as regras de entrada e saída do lado pelo qual chegou.
O hotel onde a cama fica em dois países
No pequeno vilarejo de La Cure, a fronteira entre França e Suíça passa pelo interior do Hotel Arbez. A linha imaginária atravessa a cozinha, o restaurante, os corredores e alguns quartos. Em uma das suítes, ela corta a própria cama, permitindo que o hóspede durma com a cabeça na Suíça e os pés na França.

Outro quarto está quase inteiramente em território suíço, mas seu banheiro fica na França. Até a escada oferece uma mudança internacional: os primeiros degraus estão do lado francês e, a partir de determinado ponto, o visitante já está na Suíça. A localização também teve importância durante a Segunda Guerra Mundial, quando a parte suíça do edifício serviu de refúgio para pessoas que fugiam da ocupação alemã.

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