"Tunnou" o carro e se deu muito mal!

Depois de esperar um ano pela transformação do Fiat Palio EX 2002 num tunado dos mais radicais, a funcionária pública aposentada Rosa Maria de Almeida teve a primeira frustração: o automóvel não passou na vistoria feita pelo Sistema Especializado em Inspeção Veicular (Seiv), órgão credenciado pelo Inmetro para inspeção de carros modificados, que precisam de aprovação para obterem novo documento e voltarem a circular. Em seguida, a maior decepção: depois de receber o carro, mesmo sem documentos, Rosa resolveu dar uma volta para sentir as mudanças, e acabou se envolvendo num acidente que, por pouco, não teve desfecho trágico.
Chegando no cruzamento das Rua Craveiro Lopes e Padre Pedro Evangelista, no Bairro Coração Eucarístico, região Noroeste de Belo Horizonte, ela perdeu o controle do veículo que acelerava continuamente; bateu na traseira do VW Gol do vendedor Leonardo Henrique Werneck, que estava parado no sinal e precisou manobrar rapidamente para não atingir pedestres que atravessavam a esquina.

“O galão de nitro estava totalmente solto. Escorregou, travou e prendeu o acelerador. Mas, na hora, não deu para ver que era isso”, afirma Rosa, que reclama do trabalho feito pela loja Fera Mansa, contratada para a transformação do carro. O responsável pelo serviço, Wagner Nogueira Vaz de Mello Júnior, entretanto, garante que o galão estava preso e não poderia escorregar. Com relação ao fato do carro não ter passado na vistoria, ele contra-ataca: “Quando ela me contratou, pediu para fazer um carro de exposição, um veículo para competir nos campeonatos de tuning e vencer. Esse é um tipo de automóvel que realmente não pode trafegar na rua. Depois, não sei por que, ela resolveu regularizar o carro para andar e aí não passou na vistoria, mas realmente não teria como passar”.

O engenheiro mecânico e responsável técnico da Seiv, Antônio Eustáquio Lapa, afirma que o carro foi reprovado devido a uma série de não-conformidades. Uma das mais graves foi a retirada do bocal de abastecimento da lateral do carro. Pela adaptação, um cano passa por todo o interior do veículo, indo até o compartimento do porta-malas por onde o carro é abastecido. As maçanetas também deixaram de existir, ficando a abertura das portas, que passaram a ser no formato “asas de gaivota”, por causa de interruptores internos ou controle remoto. O carro foi rebaixado, teve a suspensão alterada e as rodas instaladas ultrapassaram o diâmetro original. Com relação ao galão de nitro, porém, a dúvida permanece, pois, conforme o técnico responsável pela vistoria do carro de Rosa, Igor Antônio Alves Parreiras, no momento na inspeção, o galão ainda não havia sido colocado: “”estava só o buraco no painel”. “Devido às várias irregularidades, o carro não poderia ser aprovado para circular. Sugeri que regularizassem como carro de competição, mas não quiseram”, afirma Lapa. Para ser incluído na categoria competição, o carro pode teoricamente ter qualquer alteração, desde que atenda aos requisitos básicos de segurança. O documento passa a ter o registro ‘carro de competição’ e o automóvel não pode mais circular pelas ruas, tendo que ser levado de carreta para os locais de exposição ou competição. A saída seria voltar a forma de abastecimento ao normal, por questão de segurança.

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