Fotografias antigas podem ganhar um significado completamente diferente quando descobrimos o que aconteceu com as pessoas retratadas pouco tempo depois.
Na segunda edição desta série, reunimos seis brasileiros que deixaram suas marcas na política, na cultura, no esporte e na história do país. São imagens registradas perto do fim de suas vidas, algumas em circunstâncias bastante curiosas.
Você viu a primeira parte? Antes de continuar, confira também as últimas fotos conhecidas de outras 6 figuras históricas do Brasil. Algumas delas guardam histórias surpreendentes!
Juscelino Kubitschek (1902–1976)
Uma fotografia publicada pelo jornalista Hélio Rocha é apresentada como o último registro de Juscelino Kubitschek em vida.

Na imagem, o ex-presidente aparece ao lado de Paulo de Azevedo Marques e do engenheiro Saleh Aziz Badue, que forneceu a fotografia ao jornalista.
Em agosto de 1976, JK fez aquela que seria sua última viagem. Em 22 de agosto, morreu após um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, quando seguia de São Paulo para o Rio de Janeiro. As circunstâncias de sua morte continuam sendo objeto de controvérsia.
Tancredo Neves (1910–1985)
Uma das últimas fotografias de Tancredo Neves acabou provocando justamente o contrário do que se pretendia.

Registrada pelo fotógrafo Gervásio Baptista durante sua internação, em 1985, a imagem mostra o presidente eleito bastante debilitado, sentado ao lado de médicos.
A intenção era tranquilizar a população sobre seu estado de saúde, mas a fotografia despertou ainda mais preocupação e alimentou rumores.
Tancredo morreu em 21 de abril de 1985, sem conseguir assumir a Presidência da República.
Cândido Portinari (1903–1962)
Uma das fotografias mais curiosas desta seleção está preservada no acervo oficial do Projeto Portinari.

Nela, o pintor aparece deitado, lendo, poucos dias antes de morrer. O registro mostra um lado bastante íntimo do artista, distante das telas gigantescas que o tornaram conhecido mundialmente.
Portinari faleceu em 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos. Sua morte foi associada à intoxicação pelos metais pesados presentes nas tintas que utilizava.
O acervo também guarda fotografias de janeiro daquele ano, quando ele já estava bastante doente, ao lado da neta Denise.
Chico Mendes (1944–1988)
Em novembro de 1988, Chico Mendes foi fotografado ao lado da esposa, Ilsamar Mendes, na casa da família, em Xapuri, no Acre.

O casal aparece sorridente, em um registro doméstico que contrasta com os acontecimentos que viriam pouco depois.
Em 22 de dezembro daquele ano, pouco mais de um mês após a fotografia, o seringueiro e ambientalista foi assassinado a tiros na própria residência.
A imagem foi produzida por Miranda Smith e se tornou um dos registros mais conhecidos dos últimos momentos de sua vida.
Clarice Lispector (1920–1977)
Em fevereiro de 1977, Clarice Lispector participou de uma entrevista com o jornalista Júlio Lerner para o programa Panorama, da TV Cultura.

Sentada diante das câmeras, a escritora respondeu a perguntas sobre sua vida, sua personalidade e o trabalho como autora.
O detalhe mais curioso veio depois: Clarice pediu que a entrevista só fosse divulgada após sua morte.
Ela faleceu em 9 de dezembro de 1977, dez meses depois da gravação. As imagens da entrevista permanecem entre os últimos registros audiovisuais conhecidos da escritora.
Ayrton Senna (1960–1994)
Na manhã de 1º de maio de 1994, Ayrton Senna foi fotografado nos boxes do circuito de Ímola, na Itália, antes de disputar o Grande Prêmio de San Marino.

Um dos registros, feito pelo fotógrafo Jean-Loup Gautreau, da agência AFP, mostra o piloto concentrado dentro de seu Williams, enquanto se preparava para a corrida.
Pouco tempo depois, na sétima volta da prova, Senna sofreu o acidente que tiraria sua vida, aos 34 anos.
A imagem está entre as últimas fotografias conhecidas do tricampeão mundial antes da tragédia.

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